quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O começo, o começo e o começo







Hoje vou falar de um assunto que em sua maioria, o começo é o melhor, o meio é morno e o final desastroso: Namoros. Especificamente o inicio deles.

Já sentou em uma mesa de bar acompanhada do namorado(a), olhou para o lado e sentiu nausêas do casal que se beijava descontroladamente? Se sim, digo com bastante certeza que você estava na parte meio morna do relacionamento, enquanto o casal ao lado estava curtindo cada segundo da primeira semana do deles. É bem simples de analisar e nem é necessário um olhar muito crítico.

Casais recem formados se beijam, amassam, mordem, lambem em bancos públicos, elevadores públicos, passeios públicos e faculdades públicas e particulares. Todo ambiente que for deles e de todo o resto da civilização é um bom motivo para marcar o território com um beijo de língua. Igual cães, como o meu, que levantam a perna em todas as árvores da rua, mesmo que não saia mais xixi. Esses casais precisam explorar o mundo e se beijar em cada canto dele.

Em sua maioria, uma vez que carregam juntos uma explosão de amor completamente egocêntrica, são a pior companhia para mesas de bares, boates e churrascos. A não ser que seja divertido falar sozinho em lugares fora do consultório psiquiátrico. Porque esses casais deixam sim o resto das pessoas falando sozinhas. Não por falta de educação, mas por excesso de amor. O que pode ser bastante compreensível e incompreensível.

Amigas em começo de namoro parecem bonecos de posto. Além de surdas, cegas e mudas são completamente maleáveis e songas-mongas. O que também é compreensível, porque quando somos nós as songas-mongas, elas são os seres racionais e vice-versa. O perigoso são duas songas-mongas juntas. As vozinhas ficam esganiçadas e os celulares grudados nas mãos em uma disputa de "quem-recebeu-a-mensagem-mais-fofa-ontem".

Homens em início de namoro também são cegos. Podem nao transparecer, mas chegam a uma cegueira que os levam ao ponto de abandonar o futebol de quarta para ir ao cinema assistir "Um Amor para Recordar". São extremamente zuados pela galera que diz "que ele se vendeu e abandonou a sarjeta". E eles escutam sem dar muita importância. Afinal, também estão um pouco surdos.

Assim como o começo de uma barra de chocolate, o início de um namoro traz sempre uma sensação gostosa, um frio na barriga. O mundo fica preto e branco e você e o seu namorado(a) em tons de cor neón. Esquecemos da vida, dos horários e dos compromissos. Somos nós e nós sem precisar de mais ninguém.

Por fim, adimito que não há nada melhor para casais e pior para os outros que o ínicio de um relacionamento. Mas hoje, sem muita pretensão de ser ouvida, peço encarecidamente para vocês casais apaixonados, não se beijarem-de-esquimó em uma mesa de bar. É brega e cafona. E pode dar ânsia de vômito.

P/ ouvir: Rita Lee - Mania de você

domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre cavalheirismo






Hoje faz um sol escaldante. E em dias escaldantes meus pensamentos voam longe. O calor deixa a gente meio desnorteado e com viagens erradas. É em momentos assim que as minhas melhores - ou piores - analogias surgem.

Hoje parei para pensar se as épocas não são como a moda: algo que vai e volta. Aí imaginei uma época que eu queria que voltasse. Algo assim, bem, bem distante. Por coincidência, minha avó contou resumidamente como conheceu meu avô. Casamento arranjado, cartas românticas e a tão esperada chegada dele em Belo Horizonte sem nunca trocarem um aperto de mão. Desejei tudo isso para mim. Namoro de portão, telefonemas inesperados e poesia. Meu avô era um verdadeiro romântico. Por minutos não me desliguei dos aparelhos eletrônicos da minha mesinha e fui morar em uma pequena aldeia na Europa, vestindo roupas de renda. Por pouco.

Como de praxe, lembrei de situações que mudaram com o evoluir da espécie masculina. Casos que por experiência própria renderam a minha reflexão.

Abrir a porta do carro, por exemplo. Tenho amigas que acham cafona e estranho. "Ele só pode ter algum problema! Ele ABRIU a porta do carro para mim!". E eu pergunto: ele cantar "tchutchuca vem aqui pro seu tigrão" fazendo gestos obscenos de sexo explícito é sinal de que ele não tem problemas? Ou mais, ele esquecer de propósito todas as vezes que vocês saem o cartão de crédito e você falir bancando o gato é outro sinal de que ele é normalzíssimo? É?

Um outro exemplo é quando em uma mesa de bar, falta cadeira para uma mulher. Aí um fofo, cavalheiro e bem educado pela mãe, levanta e oferece seu lugar. E essa minha mesma amiga moderna diria: "Nossaaaaa! Ele é breguíssimo! Podia continuar sentado! Homem bacana é aquele alí que viu que eu estava sem cadeira e se afundou mais ainda na dele para não precisar levantar!". !

O mundo anda muito moderninho. Em algumas situações fico orgulhosa que nós, mulheres, lutamos e conseguimos direitos iguais. Carregar pesos, arrumar o carro, trocar lâmpadas e se defender na rua. Não precisamos mais de homens para muitas atividades. Mas abrir mão de todas as tradições, banaliza e deixa vulgar.

Por fim, já com um pouco menos de calor, cheguei a conclusão de que só mesmo a moda de usar pérolas que voltou com tudo na Primavera de 2009. Depois de "Bonde do Tigrão" a gentileza do ser humano nunca mais foi a mesma. Nunca mais.

P/ ouvir: Mc copinho - Vou botar na sua garagem

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sobre promessas






Não quero que esse texto pareça um desabafo de alguma mulher recalcada e que acabou de levar um fora. É só uma mulher meio-recalcada que acabou de desligar o telefone com uma amiga nada-recalcada a que a dois dias espera a ligação de um homem-extremamente-recalcado.

Me fez lembrar as milhões de promessas que já fiz. Lembrei duas ou três que cumpri. Lembrei daquele cara que me fez ficar o dia seguinte impedindo que todos na minha casa usassem o telefone. Nem mesmo para o delivery de pizza ás 7 horas da noite. Estava convicta de que 7 horas da noite ele ia ligar, e me buscar pontualmente ás 9. Durmi de maquiagem e escova no cabelo. E nem pude aproveitar o meu luxo no dia seguinte. O cabelo acordou todo amassado e melado do meio pote de sorvete de flocos que comi assistindo "Um amor para Recomeçar".

Por conta disso, ontem fiz uma pesquisa pessoal com um homem que eu tinha uma quantidade significativa de liberdade e intimidade para ele não sair correndo me achando meio psyco depois. Entre duas cervejas soltei: "Posso te fazer uma pergunta e você promete ser sincero? Pode falar o que eu não quero ouvir. Estou preparada." ele soltou um "Aaan-hãm" medroso e senti em seus olhos alívio imediato depois que perguntei: "Porque vocês prometem que vão ligar e não ligam? Porque??". Ele riu: "Ah! É isso má? Achei que era outra coisa! Rá rá! Isso é óbvio! Porque é facil prometer ligar e não ligar, sacou?". Não, não saquei, e acabei ficando meio nervosa querendo exterminar toda a raça masculina pela facilidade de nos fazer de otárias. Mas continuei: "Tá. Você é ridiculo. Mas então porque pedir o número? Se não vai ligar, nao pede, certo?". Ele completou: "A gente pede porque é uma tradição pedir. E se não pedir, a mulher vai achar que somos babacas e não dar moral nenhuma.". Enrolei o cabelo, cocei a cabeça e forcei um sorriso amigável. Preferi parar antes que descontasse meu ódio universal nele e a conversa tomasse um rumo pessoal.

Levei em conta, que as mulheres também não fogem da regra. Prometemos, por exemplo, que não vamos conversar mais nenhuma palavrinha com o amigo que deixa o namorado bufando de ciúmes. E sem dúvidas, a janela de MSN dele é a que mais pisca. Prometemos também que na próxima TPM vamos nos comportar e no mês seguinte ficamos dez vezes mais insuportáveis.

Como diria alguém: promessas não são contratos. A palavra - por mais clichê que algumas tenham se tornado - infelizmente tem mais valor que as ações. Nascemos acreditando em tudo que ouvimos e morremos desacreditando em tudo que nós mesmos falamos. Culpa do mundo.

Por fim, faço um apelo sincero aos homens das minhas amigas. Por favor, parem de prometer segundas-vezes, viagens, encontros e músicas. Prometam o momento.

P/ ouvir: Lily Allen - Who'd Have Known

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- Alô?
- Oi.
- Oi...
- Hoje é sexta?
- Não, hoje é quinta.
- Então amanhã é sábado.
- Não, amanhã é sexta.
- Então hoje é sábado.
- Não! Hoje é quinta!
- Ah... O que você esta fazendo?
- Conversando com você. e você?
- Tentando a sorte.
- De que?
- De amanhã ser domingo para nós.
- Voce me pega ás 10?
- Sim, te deixo ás 10.

P/ ouvir: Madeleine Peyroux - Damn The Circumstances

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Belo Horizonte, 6 de Novembro de 2009


Querido fulano,

Não vou começar esta carta perguntando como você está. Eu sei muito bem como voce está e aonde está. Principalmente quando o sol se põe. Prefiro começar me despedindo e com sinceridade agradecendo. Pois bem: Adeus e Obrigada.

Eu sempre prefiri nossos olhares. Mesmo nos dias que eles desviavam minha atenção. Eu nunca queria prestar atenção. Nunca. Sinceramente, eles me confortaram mais que todos os nossos beijos. Tinha dias que nossa proximidade me dava choques. E eu tenho pavor de tomadas.

Tenho que te confessar: imaginei por vinte dias nós dois de novo abraçados assistindo aquele filme. Imaginei que continuaria sem entender nenhuma cena mesmo que ele passase cinco vezes. Eu prefiria olhar para a tela e congelar cada segundo daquelas duas horas. Mesmo que estivessemos em silêncio. Eu sempre gostei quando você ficava em silêncio e pegava a minha mão.

Você me prometeu muita coisa. E mesmo me convencendo quando fazia nossos planos, eu sabia que nós tinhamos curto prazo de validade. Mas eu não me importei, você continuava perto e seus olhos continuavam me seguindo. E mais uma vez te confesso: todos aqueles planos aconteceram nos meus sonhos. Perfeitamente como combinamos.

Não fico triste de que agora vamos nos separar e eu vou sair por aí exatamente como cheguei por aqui. Eu me apaixonei e é preciso me apaixonar mais uma vez. Fugir é muito bom.

Beijos,

Fulana

Ps: Era por isso que o rádio nunca tocava uma música para ser nossa. Era por isso.


P/ ouvir: Bob Marley e Lauryn Hill - Turn Your Lights Down Low

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre como homens são pretensiosos







Não quero parecer feminista. Longe disso. Diria até que sou um pouco machista e convivo 50% melhor com homens do que mulheres. Mas, outro dia, em uma dessas conversas de buteco, eu e uma amiga conversávamos sobre homens e sua pretensão. Fiquei com isso na cabeça e por algumas experiências próprias inventei as classificações bem - ou mal - "pretensionadas".

Para começar, o ex-namorado-mensagem-de-texto. Deixa eu explicar: é aquele cara que se por exemplo, você manda uma mensagem de texto porque precisa simplesmente saber uma informação (pausa para o exemplo: o telefone daquele restaurante que ele costumava pedir comida para vocês no sábado a noite ou da massagista que sua ex-sogra frequenta), no dia seguinte vai ouvir da boca de um amigo em comum: "ÉÉÉ! O João me disse que você procurou ele ontem! Rá rá rá!". Subitamente vai despertar uma chuva de outras mensagens de texto - dele - para você nos próximos finais de semana, meses e até anos. E você não necessariamente precisa estar afim dele, ele simplesmente irá deduzir e contar para todos os amigos do futebol que você tá no pé, na mão, no braço, na perna, enfim, não para de correr atrás dele.

Tem também o paquera-perseguição. Vocês se conheceram em um show de Rock porque logicamente gostavam de... Rock. Aí ficaram, trocaram telefone e o cara nunca mais ligou. Não que ele tenha prometido (esse é um assunto que me dá um pouco de vontade de vomitar), mas você também nem curtiu horrores para ficar o dia seguinte plantada com o celular na mão. Daí, vocês vivem em uma cidade minúscula e com poucas opções de boates que tocam Rock, e infelizmente - ou felizmente - é comum trombar até duas vezes no mesmo final de semana. E aí o Rocker Boy, toda vez que te vê fala algo no pé do ouvido do amigo. Muitas vezes você acha ótimo e pensa: "Yes, tô linda e magra nesse vestido. Olha só como ele tá me olhando!". Outras vezes estranha o jeito que o amigo dele olhou mas novamente pensa: "Yes, aposto que ele contou que ficou comigo e hoje vai tentar de novo! Que babaca!". Sim, ele com certeza contou que ficou com você, mas contou também que você não para de ir nos mesmos lugares que ele, que ele não aguenta mais te ver e que, by the way, é a segunda vez que você usa esse vestido. Rá rá rá! Doeu né? Em mim também. Ele é mesmo um babaca.

Por fim, o melhor de todos: O ex-namorado. Simplesmente. É o que depois de dois anos que vocês terminaram tem certeza que você ainda está na fossa. Se te vê acompanhada, jura por Deus que você pagou essa pessoa para estar ao seu lado. Olha suas fotos e diz com a boca cheia: "É, quando estava comigo se vestia melhor! Quando estava comigo não tinha esse pneuzinho!". Faz macumba toda vez que vê seu "namorando" no Orkut e diz para todo mundo que seu namoro não vai durar nada. Se você mudou o corte de cabelo e começou a frequentar lugares diferentes espalha que é porque depois que vocês terminaram, você começou a usar drogas de tão triste que ficou. Sem contar a psiquiatra, que você frequentava até mês passado. Afinal de contas, ele é pretensioso e acha que você É e sempre, sempre, sempre SERÁ dele.

Enfim, tenho que contra a minha vontade admitir que sim, nos apaixonamos e colocamos o cara no topo do universo. Passamos o Blush, compramos o vestido e fazemos a chapinha para ficar bonita para ele. A maioria de nossas conversas com as amigas é sobre ele e detalhadamente sobre cada palavra que ele disse ontem á noite. Esperamos mensagens, ligações e nos machuca quando desaparecem sem dar notícia.

Mas homens: nem tudo que nós, mulheres, fazemos é pensando em vocês. Nem tudo. ;)

P/ ouvir: Fuck You - Lily Allen

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Original Sundays


Oi, sabe ontem aquela hora que eu sentei? Imaginei como seria se a gente ficasse junto. Se você deixasse de lado o orgulho e eu essa mania de brincar todas as vezes com a sua cara. Imaginei o tanto que seria difícil achar a nossa harmonia no meio de tantos contrários. Imaginei as - mais - brigas que teriamos de sexta a domingo e a raiva que você sentiria de ter que me levar para ouvir Jimi Hendrix. Imaginei o tanto que eu ficaria chata se te visse conversando de novo com aquela loira. Imaginei sua cara de desprezo por isso. Imaginei se você sorriria daquele jeito todas as manhãs. Acho que não. Imaginei se voce sorriria daquele jeito todas as noites. Talvez sim. Imaginei qual seria a nossa música. Aí tocou aquela. Imaginei se você entenderia as vezes que desligo o celular. Essa eu nem sei porque imaginei. Mas imaginei. Imaginei sua cachoeira, imaginei meu mar. Mais uma vez.
Imaginei o tanto que seria fácil te amar e te fazer companhia.
De novo. Só imaginei.

P/ ouvir: Jimi Hendrix - Foxy Lady